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AS MINHAS VIAGENS

MÉRTOLA: UM PARAÍSO “ADORMECIDO” NO INTERIOR ALENTEJANO

07.09.21 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Era um dos recantos deste País onde ainda não tinha passado uns dias para desfrutar de tudo o que de bom este concelho tem para dar: paisagens naturais, monumentalidade, história, gastronomia e, sobretudo, aquela quietude e aquela paz de que todos precisamos, de quando em vez.

Organizado o plano de viagem, simples quando acompanhados das pessoas certas, rumámos a Sul pela A2 até Grândola Sul e depois uns 13 kms pela A26 em direcção a Ferreira do Alentejo e rapidamente entrámos em Beja, capital de distrito e terra de boas recordações.

Daí dirigimo-nos para o interior em direção a Serpa e depois até às Minas de São Domingos onde grande riqueza foi a exploração do cobre e que hoje se encontra num estado lamentável de degradação mas onde se pode imaginar o que teria sido há 50 a 100 anos atrás, explorada por ingleses da Mason & Barry nos finais do séc. XIX e é visível também a diferença que havia entre trabalhadores naturais e ingleses pelas dimensões das casas que ocupavam. Pois bem, hoje restam memórias que foram preservadas no Centro de Documentação e Casa do Mineiro, ambos inaugurados em Junho de 2006 e que são geridos pela Fundação Serrão Martins. Infelizmente não pudemos visitar estes espaços pois estão encerrados ao fim de semana!...

 

São mais de sete séculos de história sob domínio português já que o seu foral é datado de 1254, reflectindo muito do seu passado árabe/muçulmano, com o sem monumental castelo erigido num monte que domina o Guadiana e circundado por montes e vales que valem bem a pena calcorrear, de carro, de bicicleta ou a a pé por um dos muitos trilhos. O concelho de Mértola tem cerca de 1300 quilómetros quadrados de área, fica na raia com a Extremadura e a Andaluzia espanholas, e pertence ao distrito de Beja. Sexto maior concelho do País em termos de área, Mértola tem, contudo, uma baixa densidade populacional (5,6 habitantes por Km2) e tem 7 freguesias. Tem como feriado municipal o dia de São João, 24 de Junho.

Entrados em Mértola vindos das Minas de São Domingos, a monumentalidade da vila é notória logo ao nosso lado esquerdo, com o Castelo a dominar todo o belo espaço. Construído já sob domínio cristão sobre estruturas antigas, teve a Torre de Menagem construída em 1292, tem um núcleo museológico e uma vista fantástica sobre a vila e território adjacente. Desde 1943 que está classificado como monumento nacional.

Também impacta logo à chegada a formosa Torre do Relógio inserida num troço da muralha e encimando um dos seus torreões: data dos finais do século XVI, Existe uma escadaria que conduz ao cais e que, segundo o site da Câmara Municipal de Mértola, foi custeada pela empresa Mason &Barry que explorava a mina de S.Domingos.

O aproveitamento das correntes do Guadiana está também patente nas azenhas que a montante da vila ainda se encontram muito bem conservadas e que aproveitavam esse movimento das marés para transformar os cereais em farinha. Hoje são local de lazer aproveitado por locais e turistas para uns bons banhos. Nestes dois dias, ainda pudemos desfrutar de um passeio de barco no Guadiana e que nos proporcionou bons momentos de relaxe e desfrutar dessa paisagem tipicamente alentejana e raiana.

Mais a jusante da vila, diria que uns bons 20 quilómetros mais, passando por montes e vales e estreitas estradas, atingimos um outro ponto que é muito visitado e onde é fácil encontrar barcos e iates eu subiram o Guadiana desde Vila Real de Santo António. Antigamente este porto servia para carga do minério extraído de S. Domingos e que aqui chegava por comboio sendo depois transportado em navios para Inglaterra e outros países. A pequena aldeia tem um traça muito típica e fica incrustada na ingreme encosta. Bem próximo fica a barragem de Chança, do lado espanhol.

Degustámos bons pratos alentejanos com destaque para a mista de porco preto com migas de alho, rematadas com um belo melão e não menos saborosa e bem confecionada sericaia com ameixa e o seu molho, no restaurante Alentejo em Moreanes. Na vila de Mértola não foi fácil encontrar um restaurante com boas indicações que estivesse aberto ou não tivesse uma fila enorme à porta. Jantámos, e bem, no Migas.

Nota de rodapé: era importante que quem gere os destinos desta vila e concelho, tivesse uma visão mais abrangente do valor acrescentado que é o turismo. Os acessos ao castelo e á igreja, ao núcleo museológico deviam ser claros e pelo menos com um percurso acessível a pessoas com mobilidade reduzida ou permitir o acesso a viaturas dessas pessoas até bem próximo dos espaços. A própria gestão de trânsito dentro da vila não facilita a vida aos forasteiros. E quem gere espaços de restauração tem de pensar em valorizar tudo o que é regional...

Texto e fotos: António Lúcio

Documentação consultada em www.wikipedia.pt, e www.cm-mertola.pt