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AS MINHAS VIAGENS

AS BELEZAS NATURAIS DA SERRA DE AÇOR E OS INCÊNDIOS

06.05.19 | António Lúcio / Barreira de Sombra

No ano de 2017 os incêndios provocaram danos irreversíveis na paisagem natural e nas pessoas que habitam nesta região do País entre o litoral e interior. As belezas naturais da Serra de Açor estão vivas, recuperam a olhos vistos e as gentes desta zona mostram uma capacidade de regeneração tão grande quanto a da natureza onde vivem. Contudo, algumas zonas provocam um contraste bem forte entre o verde que rompe numa nova vida e o negrume das árvores queimadas por esses incêndios que, ano e meio depois, ainda testemunham os horrores vividos nesses dias e noites.

“A Serra do Açor é uma serra no centro de Portugal, junto à Serra da Estrela, que abrange áreas de seis concelhos, na totalidade: Arganil, Pampilhosa da Serra, parcialmente: Covilhã, Seia, Oliveira do Hospital e Góis, onde se localizam freguesias históricas como o Piódão, Vide, Avô, Fajão, e São Gião, nesta última freguesia começa a Serra do Açor.

A Serra do Açor faz parte da Cordilheira Central, da qual também fazem parte a Serra da Lousã e a Serra da Estrela. O ponto mais alto da Serra do Açor é o Pico de Cebola (1418 metros). Este local está situado na zona limítrofe dos concelhos da Covilhã, Pampilhosa da Serra e Arganil e é o 5º ponto mais alto de Portugal Continental (o 9º se incluirmos os arquipélagos).

A Serra do Açor tem ainda outros pontos de grande elevação, dos quais se destacam, o Monte do Colcurinho (1242 m de altitude), o Alto de São Pedro (1341 m), no Alto Ceira, e o Cabeço do Gondufo (1342 m de altitude) onde perto deste cabeço, a 1118 m de altitude, nasce o rio Ceira. Todos este locais, são zonas de grande beleza e pontos de interesse turístico a visitar. Aí se situa a área de Paisagem Protegida da Serra do Açor.”In, https://pt.wikipedia.org/wiki/Serra_do_A%C3%A7or

 

Procuramos, neste nosso roteiro de viagem, privilegiar as belezas naturais e a sua capacidade de resistência e de criar vida nova face ao negro das árvores e casas queimadas em 2017.

Saindo de Lisboa, e pela A1 em pouco mais de 2h estamos na cidade dos estudantes, Coimbra, e daí tomamos a direcção do IP3 até Arganil (um pequeno percurso via IP6). Paragem obrigatória na ponte de entrada que nos oferece um magnífico espelho de água e um miradouro muito tradicional. Arganil é uma vila portuguesa do distrito de Coimbra, na província da Beira Litoral, região do Centro e sub-região do Pinhal Interior Norte, com cerca de 4 000 habitantes. É sede de um município com 332,84 km² de área e 12 145 habitantes, subdividido em 14 freguesias

 

Seguimos em direção a Côja, paisagem bonita, estrada bem cuidada. “Coja ou Côja é uma vila portuguesa do concelho de Arganil, com 2.5 km² de área e 4 160 habitantes. A sua densidade populacional é de cerca de 1 700 hab/km². Foi vila e sede de concelho entre 1260 e 1853 com foral antigo datado de 1260 e foral novo dado em Lisboa a 12 de Setembro de 1514.” (in Wikipédia)

Interessante a forma como se desenvolve em torno do Rio Alva, com uma magnífica praia fluvial, bem dotada de acessos para quem se quiser banhar nessas frias e límpidas águas, tendo ainda um belíssimo restaurante junto á àgua. Um local paradisíaco e onde a natureza, na sua forma bruta, surpreende.

Continuamos entre montes e vales entrecortados por linhas de água, por algumas cascatas, casas de xisto, agricultura de subsistência, as igrejas em pontos mais altos e com vistosos campanários.

Subimos e descemos, subimos e descemos, curvamos e “contracurvamos” por estradas estreitas e sem grandes protecções apesar dos enormes precipícios que se nos deparam.

Mais uns quilómetros e atingimos mais um local fabuloso: a Mata da Margaraça.

“A Mata da Margaraça, situada em plena Área Protegida da Serra do Açor, constitui um raro testemunho de vegetação espontânea de paisagem serrana, uma importante Reserva Biogenética, considerada como o último reduto de vegetação original do Centro do País. Abrangendo 68 hectares, a Mata da Margaraça constitui uma área que vale a pena ficar a conhecer pela sua frescura e biodiversidade. O carvalho, o medronheiro, a aveleira, a cerejeira, a madressilva, o martagão, o ulmeiro e a urze (cujo pólen dá um paladar tão característico ao mel da Serra do Açor), a par de uma elevada cobertura de musgos, líquenes e fungos, são espécies em abundância que por lá se podem observar No que toca à fauna, é de salientar o açor, a coruja do mato, o gavião, a águia de asa redonda, a gralha preta, o pombo torcaz, a rola e o dom-fafe que fazem da Mata a sua casa.” In, https://www.cm-arganil.pt/visitar/o-que-visitar/mata-da-margaraca/

E daqui, o percurso por essa estrada empedrada e posteriormente em alcatrão, levar-nos-á ao Piódão, aldeia de xisto com uma enorme vistosidade e que é um dos postais turísticos desta zona. E onde aproveitámos para almoçar e adquirir alguns produtos locais como o excelente mel cuja produção foi seriamente atingida pelos fogos de 2017 e que vai demorar algum tempo a recuperar.

“Piódão é uma freguesia portuguesa do concelho de Arganil, com 36,57 km² de área e 178 habitantes. A sua densidade populacional é de 6,1 hab/km². A freguesia inclui as seguintes aldeias e quintas: Piódão, Malhada Chã, Chãs d'Égua, Tojo, Fórnea, Foz d`Égua, Barreiros, Covita, Torno, Casal Cimeiro e Casal Fundeiro.” In Wikipédia

Saímos do Piódão e chegamos à Aldeia de Foz D’Égua que  “pertence à freguesia do Piódão e com ela partilha a beleza mística da Serra do Açor.
Caraterizada pelo seu aspecto rural serrano, com as típicas casas de xisto e lousa, circundadas por uma natureza quase em estado puro, é rica em espécies de fauna e flora que aqui encontram o seu habitat natural.

Em Foz D’Égua situa-se uma praia fluvial de grande beleza, o ponto de encontro da ribeira de Piódão com a ribeira de Chãs, que correm em direcção ao rio Alvoco e cujo percurso é travado por uma represa criando um espelho de água.” In, https://www.cm-arganil.pt/visitar/o-que-visitar/foz-de-egua/

Não abandonando o percurso serrano, subimos em direcção a Barriosa/Vide onde, á esquerda, entramos numa estrada secundária que nos conduz a outra  beleza natural de inegável interesse e que nos prende a atenção: o Poço da Broca, uma cascata natural que forma depois uma praia fluvial e onde um belo restaurante serve de apoio para uma refeição retemperadora.

“A Cascata do Poço da Broca é uma queda de água destacada pela sua beleza inigualável. Localiza-se na ribeira de Alvôco mais propriamente na Aldeia de Barriosa, em Vide. Esta pequena queda forma a agradável praia fluvial conhecida pela sua tranquilidade. É impossível ficar indiferente a este lugar resultante da intervenção humana.

Esta magnífica paisagem resulta da intervenção direta do homem que há mais de 200 anos percebeu que se desviasse o curso da água esta seria melhor aproveitada para a agricultura. As zonas de difícil cultivo mais concretamente no xisto e em zonas onde os próprios rios formam curvas apertadas sofreram alteração. Nesse mesmo estreitamento dos rios com o uso de brocas abriu-se um corte. Assim as águas foram desviadas do seu curso e desta forma obtiveram-se terrenos agrícolas planos e com fácil irrigação. É nessa sucessão que a água cai a uns metros consideráveis formando desta forma um poço, daí o seu nome, “Poço da Broca”. In, https://www.praiafluvial.pt/cascata-do-poco-da-broca/

Deixamos o Poço da Broca e retomámos a estrada principal. Hora de tomar decisões e optámos por seguir em direcção a Loriga, encosta oeste da Serra da Estrela e onde existem umas piscinas naturais que se estendem em tabuleiros por uma área razoável e aproveitam a água que desce da Serra. A partir daqui o percurso de regresso a Lisboa pode passar por Oliveira do Hospital e Coimbra, voltando à A1 ou subir a Serra da Estrela em direcção à Torre e descer pela Covilhã para tomar a direcção sul pela A23. Um grande fim de semana em pleno contacto com a natureza e a merecer a sua visita. Vai adorar!

Texto: António Lúcio

Fotos: António Lúcio (AL) e Dina Pelicho (DIP)

Bibliografia: Wikipédia; https://www.praiafluvial.pt/cascata-do-poco-da-broca/; https://www.cm-arganil.pt/visitar/o-que-visitar