Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

AS MINHAS VIAGENS

"EL CAÑON DEL TAJO" EM RONDA - UMA OBRA HUMANA E DA NATUREZA

15.06.23 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Fotos: António Lúcio/Dina Pelicho

MÉRTOLA: UM PARAÍSO “ADORMECIDO” NO INTERIOR ALENTEJANO

08.06.23 | António Lúcio / Barreira de Sombra

Era um dos recantos deste País onde ainda não tinha passado uns dias para desfrutar de tudo o que de bom este concelho tem para dar: paisagens naturais, monumentalidade, história, gastronomia e, sobretudo, aquela quietude e aquela paz de que todos precisamos, de quando em vez.

Organizado o plano de viagem, simples quando acompanhados das pessoas certas, rumámos a Sul pela A2 até Grândola Sul e depois uns 13 kms pela A26 em direcção a Ferreira do Alentejo e rapidamente entrámos em Beja, capital de distrito e terra de boas recordações.

Daí dirigimo-nos para o interior em direção a Serpa e depois até às Minas de São Domingos onde grande riqueza foi a exploração do cobre e que hoje se encontra num estado lamentável de degradação mas onde se pode imaginar o que teria sido há 50 a 100 anos atrás, explorada por ingleses da Mason & Barry nos finais do séc. XIX e é visível também a diferença que havia entre trabalhadores naturais e ingleses pelas dimensões das casas que ocupavam. Pois bem, hoje restam memórias que foram preservadas no Centro de Documentação e Casa do Mineiro, ambos inaugurados em Junho de 2006 e que são geridos pela Fundação Serrão Martins. Infelizmente não pudemos visitar estes espaços pois estão encerrados ao fim de semana!...

 

São mais de sete séculos de história sob domínio português já que o seu foral é datado de 1254, reflectindo muito do seu passado árabe/muçulmano, com o sem monumental castelo erigido num monte que domina o Guadiana e circundado por montes e vales que valem bem a pena calcorrear, de carro, de bicicleta ou a a pé por um dos muitos trilhos. O concelho de Mértola tem cerca de 1300 quilómetros quadrados de área, fica na raia com a Extremadura e a Andaluzia espanholas, e pertence ao distrito de Beja. Sexto maior concelho do País em termos de área, Mértola tem, contudo, uma baixa densidade populacional (5,6 habitantes por Km2) e tem 7 freguesias. Tem como feriado municipal o dia de São João, 24 de Junho.

Entrados em Mértola vindos das Minas de São Domingos, a monumentalidade da vila é notória logo ao nosso lado esquerdo, com o Castelo a dominar todo o belo espaço. Construído já sob domínio cristão sobre estruturas antigas, teve a Torre de Menagem construída em 1292, tem um núcleo museológico e uma vista fantástica sobre a vila e território adjacente. Desde 1943 que está classificado como monumento nacional.

Também impacta logo à chegada a formosa Torre do Relógio inserida num troço da muralha e encimando um dos seus torreões: data dos finais do século XVI, Existe uma escadaria que conduz ao cais e que, segundo o site da Câmara Municipal de Mértola, foi custeada pela empresa Mason &Barry que explorava a mina de S.Domingos.

O aproveitamento das correntes do Guadiana está também patente nas azenhas que a montante da vila ainda se encontram muito bem conservadas e que aproveitavam esse movimento das marés para transformar os cereais em farinha. Hoje são local de lazer aproveitado por locais e turistas para uns bons banhos. Nestes dois dias, ainda pudemos desfrutar de um passeio de barco no Guadiana e que nos proporcionou bons momentos de relaxe e desfrutar dessa paisagem tipicamente alentejana e raiana.

Mais a jusante da vila, diria que uns bons 20 quilómetros mais, passando por montes e vales e estreitas estradas, atingimos um outro ponto que é muito visitado e onde é fácil encontrar barcos e iates eu subiram o Guadiana desde Vila Real de Santo António. Antigamente este porto servia para carga do minério extraído de S. Domingos e que aqui chegava por comboio sendo depois transportado em navios para Inglaterra e outros países. A pequena aldeia tem um traça muito típica e fica incrustada na ingreme encosta. Bem próximo fica a barragem de Chança, do lado espanhol.

Degustámos bons pratos alentejanos com destaque para a mista de porco preto com migas de alho, rematadas com um belo melão e não menos saborosa e bem confecionada sericaia com ameixa e o seu molho, no restaurante Alentejo em Moreanes. Na vila de Mértola não foi fácil encontrar um restaurante com boas indicações que estivesse aberto ou não tivesse uma fila enorme à porta. Jantámos, e bem, no Migas.

Nota de rodapé: era importante que quem gere os destinos desta vila e concelho, tivesse uma visão mais abrangente do valor acrescentado que é o turismo. Os acessos ao castelo e á igreja, ao núcleo museológico deviam ser claros e pelo menos com um percurso acessível a pessoas com mobilidade reduzida ou permitir o acesso a viaturas dessas pessoas até bem próximo dos espaços. A própria gestão de trânsito dentro da vila não facilita a vida aos forasteiros. E quem gere espaços de restauração tem de pensar em valorizar tudo o que é regional...

Texto e fotos: António Lúcio

Documentação consultada em www.wikipedia.pt, e www.cm-mertola.pt

PARQUE TERMAL DA CURIA – PARA RELAXAR E DESFRUTAR DE UM LOCAL ÚNICO

02.06.23 | António Lúcio / Barreira de Sombra

IMG_5202.JPG

Num dos nossos programas de fim-de-semana, rumámos até ao Centro de Portugal, um pouco a norte de Coimbra e descobrimos a Curia e o seu espaço termal e um parque, o do Hotel das Termas, que é um pequeno grande paraíso com uma envolvência florestal e um lago únicos, com alamedas de árvores, algumas delas centenárias e que, em pleno outono, nos presenteiam com uma paleta de cores verdadeiramente únicas e espectaculares.

De acordo com o seu sítio da internet (www.termasdacuria.com/parque-da-curia) “para além do seu património arquitetónico que reflete o esplendor dos anos 20, é único na sua envolvência natural, com uma área verde de 14 hectares de árvores centenárias e com um lago artificial de 1 km de perímetro. O Parque da Curia totalmente plano, convida a passeios fantásticos em pelo contato com a natureza, desfrutando de um descanso ativo.

O parque das Termas da Curia está classificado pela Associação Portuguesa de Jardins Históricos.

E é bem verdade, pois o local é idílico, com recantos que apelam ao lazer, ao desfrutar da natureza, ao romance. E a música com que fomos recebidos ajuda, ainda mais, a esse relaxamento que procuramos para fugir do stress do dia a dia, do ritmo frenético em que vivemos. Entrar ali significa, desde logo, um encontro com a natureza que propicia uma paz de alma, um despertar dos sentidos para a paz e o ar puro e pleno de diferentes essências e odores propiciados pela enorme variedade de espécimes que povoam o espaço.

O parque termal da Curia dista 108 km do Porto e 230 Km de Lisboa e tem múltiplas valências em seu redor.

Textos: António Lúcio e www.termasdacuria.com/parque-da-curia

Fotos: António Lúcio

 

SAFARI FOTOGRÁFICO PELO GERÊS

02.06.23 | António Lúcio / Barreira de Sombra

IMG_7866.JPG

O início do mês de Junho, entre a Primavera  e o Verão, é uma das boas alturas (todas são) para visitar o Parque Nacional da Peneda-Gerês e alguns dos seus locais mis apelativos, seja que para uns o ideal são as cascatas e as lagoas que se formam e permitem banhos em águas límpidas, transparentes- e bem frias, acrescento eu-, ou as caminhadas pelos frondosos bosques onde em alguns locais a própria luz solar tem dificuldade em penetrar… ou ainda esse degustar de cheiros e de cores tão próprios da região, todo um manancial para o despertar de todos os sentidos.

Pois bem, o que nos propusemos fazer foi um tour, tipo safari fotográfico (tudo o que tem a ver com a descrição e valores do PNPG pode encontrar numa rápida pesquisa na net e depois decidir-se) tendo por base a vila de Vieira do Minho, a descida até à ponte do Rio Caldo, verdadeira fronteira natural do Parque, subir à vial do Gerês, explorar um pouco da mata da Albergaria, Portela do Homem, Castelo e espigueiros do Lindoso, Espigueiros do Soajo e Arcos de Valdevez.

Três dias plenos de acção e de cuidadosa condução por estradas estreitas, caminhos de terra batida e de pulmões plenos de um oxigénio revitalizador.

Recomendamos!

  1. FONTES E CASCATAS

Se há algo em que o PNPG é fértil é em águas límpidas, cristalinas e transparentes. Um pouco por todo o lado surgem fontes e regatos e cascatas ou quedas de água, umas de maior expressão que outras pela sua dimensão. Nem em todos os locais se consegue parar o carro, pelo que algumas vezes é preciso caminhar um pouco para lá chegar.

  1. PAISAGENS

Alguns locais são verdadeiramente idílicos e obrigam-nos a parar, caminhar um pouco, sentar nas pedras ou nos troncos de árvore caídos e escutar o murmulhar da água que corre por entre pedras e pedrinhas e onde tudo tem um cheiro muito próprio. Noutros locais a estrada é quase um túnel ladeado por árvores e arbustos. Noutros podem admirar-se o rio… enfim, todos os sentidos têm de estar bem despertos para aproveitar ao máximo a visita.

  1. OS ESPIGUEIROS DO LINDOSO E O SEU CASTELO

O Castelo do Lindoso não é muito grande mas ergue-se a uma altitude considerável, dominando por completo o vasto terreiro onde se erguem, majestosos, os espigueiros, construções em pedra e madeira e destinados a guardar os diversos cereais das intempéries. Erguem-se numa espécie de eira, de maiores ou menores dimensões mas com esse fim comum. Um dos que retratámos data de 1881, ou seja, tem 141 anos.

  1. OS ESPIGUEIROS DO SOAJO

A mais de 1400 metros de altitude ergue-se a população do Soajo, conhecida pelos seus magníficos espigueiros, com as mesmas funções dos anteriormente referidos do Lindoso, erguidos sobre uma enorme rocha. Desta povoação saíam para a corte, em Lisboa, diversos cães do uma raça denominada “Sabujo do Soajo”.

  1. ARCOS DE VALDEVEZ

Este nosso périplo termina em Arcos de Valdevez, conhecida pela sua ponte e pelo magnífico espelho de água do seu rio e que é também uma das localidades a visitar e a fotografar.

Muitos outros locais ficaram de fora deste nosso safari por uma questão de ser humanamente impossível em 3 dias estar em todos os lados. Mas recomendamos uma visita ao Santuário de São Bento da Porta Aberta, a Sistelo, a Castro Laboreiro, a Monção, a Melgaço e no regresso, Valença e Ponte de Lima. Uma semana plena de actividades no campo e não esquecendo a magnífica gastronomia local e o vinho verde sempre tão apreciado.

Texto: António Lúcio

Fotos: DR asviagensdolucio.blogs.sapo.pt